sexta-feira, 8 de abril de 2016

Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua e Estimulação Magnética Transcraniana: como funcionam e como podem atuar nas doenças como parkinson e depressão

      A estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) é uma técnica não invasiva e indolor, capaz de modular a excitabilidade cortical de maneira segura. Os efeitos são dependentes da polaridade aplicada e o aumento ou a diminuição da excitabilidade podem ser obtidos após ETCC anódica ou catódica (1mA por 5min) , respectivamente.
   Segundo a literatura, tanto a ETCC catódica do hemisfério saudável, quanto a anódica do hemisfério lesionado são capazes de melhorar o desempenho motor significativamente. Os resultados, entretanto, são dependentes da polaridade e da área cerebral estimulada (BOGGIO et al, 2006).

       O que é Estimulação Magnética Transcraniana? Para que serve? Quando surgiu?

     

        A Estimulação magnética transcraniana (EMT) é uma técnica conhecida desde o começo dos anos 90 e tem ganhado, nos últimos anos, destaque devido a sua segurança e possível aplicabilidade para tratar patologias neuropsiquiátricas com estudos eletrofisiológicos e aplicações clínicas como a eletroconvulsoterapia. A fim de clarificar os possíveis usos da EMT e suas variações no campo da clínica como forma de tratamento, procedemos à revisão da literatura selecionando os artigos nas áreas em que a técnica de EMT já tem sido utilizada: AVC, Dor, Doença de Parkinson e Depressão. Essas doenças apresentam elevada morbidade, possuindo grandes implicações na qualidade de vida devido ao elevado grau de incapacidade associado e ao fato de ainda carecerem de métodos terapêuticos totalmente eficientes. Nesse contexto, a EMT surge como ferramenta promissora, apresentando bons resultados, os quais fornecem margem para aplicações diretas na prática clínica, (BOGGIO et al, 2006). Porém, é necessário o desenvolvimento de mais estudos randomizados, para se padronizar e aperfeiçoar as abordagens dessa técnica no tratamento de tais patologias. Porém, é necessário o desenvolvimento de mais estudos randomizados, para se padronizar e aperfeiçoar as abordagens dessa técnica no tratamento de tais patologias.
    A EMT e a EMTC merecem aperfeiçoamento no uso. Por serem utilizadas para o tratamento de doença de Parkinson que é uma doença degenerativa, crônica e progressiva, ocorrida pela perda de neurônios do sistema nervoso central na substância negra com depleção de dopamina, ela causa uma ativação anormal dos gânglios da base e áreas corticais, incluindo o córtex motor primário (M1) e o córtex pré-frontal. As disfunções motoras são mais óbvias ao olho clínico que as variações dos problemas não motores, incluindo nesse caso os distúrbios de humor e cognitivos. Ainda são doenças incuráveis e, mesmo com o tratamento farmacológico, o uso de L-Dopa e procedimentos neurocirúrgicos de estimulação cerebral profunda, possuem limitações importantes que tornam necessária a abordagem de novas técnicas terapêuticas.
     O uso da EETC ou da EMT pode ser considerado uma boa alternativa terapêutica à estimulação cerebral profunda para a doença de Parkinson. A literatura aponta que o primeiro estudo com EMT em Parkinson ocorreu por volta de 1994, e que durante a estimulação a 5Hz em neurônio motor, houve melhora do tempo de reação dos movimentos.
     Estudos que utilizaram do córtex motor primário para a estimulação e a bobina em forma de oito, obtiveram como resultados (redução da rigidez e da bradicinesia contralateral a estimulação e melhora da fala. A freqüência de estimulação nesses casos variou entre 0,5 e 25Hz. Quando a estimulação ocorreu em córtex pré-motor, houve normalização do potencial motor evocado em pacientes com uso de medicamentos, mas não houve efeito em pacientes sem medicação, sendo que a variação de estimulação foi entre 1 e 5Hz.

Na imagem acima apresentamos o Organograma do tratamento fisioterápico da doença de Parkinson, lembrando que é importante ressaltar que juntamente com o tratamento fisioterápico o tratamento farmacológico também tem grande importância para alcançar bons resultados.


Referências:
Araújo HA, Iglesio RF, Correia GSC, Fernandes DTRM, Galhardoni R, Marcolin MA, Teixeira MJ, Andrade DC. Estimulação magnética transcraniana e aplicabilidade clínica: perspectivas na conduta terapêutica neuropsiquiátrica RevMed (São Paulo). 2011 jan.-mar.;90(1):3-14.

Boggio, Paulo SérgioEfeitos da estimulação transcraniana por corrente contínua sobre memória operacional e controle motor.São Paulo; s.n; 2006. 123 p. Tese em Português | Index Psicologia - Teses | ID: pte-48020

Cohen, Leonardo, Conforto,Adriana B Suely K.N. Marie; MilbertoScaffArq. Neuro-Psiquiatr. vol.61 no.1 São Paulo Mar. 2003 http://dx.doi.org/10.1590/S0004-282X2003000100032  Estimulação magnética transcraniana









4 comentários:

  1. Muito interessante!

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  2. Boa Tarde , esta técnica pode ser utilizada por fisioterapeutas ?

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    1. Sim. Essa técnica foi liberada para o uso dos fisioterapeutas em 2014:
      ACÓRDÃO Nº 378, DE 29 DE AGOSTO DE 2014: Os Conselheiros do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, reunidos na 245ª Reunião Plenária Ordinária, no uso de suas atribuições e disposições regulamentares conferidas pela Lei nº 6.316, de 17 de dezembro de 1975, e pela Resolução nº 181, de 25 de novembro de 1997, ACORDAM em: Aprovar, por unanimidade, a normatização do uso das seguintes técnicas no exercício da Fisioterapia: (i) estimulação magnética Transcraniana e (ii) estimulação transcraniana por corrente contínua, conforme parecer técnico, infra aduzido, que fará parte integrante do presente acórdão.

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  3. Gostei desse assunto , bastante interessante

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