quarta-feira, 15 de março de 2017

Tecnologia assistiva: aplicações na fisioterapia





Dentre os vários profissionais envolvidos nessa área, o fisioterapeuta apresenta um importante papel, pois este profissional é capacitado para dar assistência ao homem, participando da promoção, tratamento e recuperação da sua saúde. Por lidar diretamente com o movimento humano, analisando-o cinética e funcionalmente, o fisioterapeuta pode auxiliar tanto na seleção e na confecção de recursos como também na elaboração de estratégias e métodos para otimizar o desempenho funcional do usuário.

Compete ao fisioterapeuta o uso da Tecnologia Assistiva nas Atividades de Vida Diária (AVDs) e Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs) com os objetivos de:

a) promover adaptações de jogos eletrônicos, realidade virtual para recriar o universo real do cliente;
b) criar equipamentos, adaptações de acesso ao computador e softwares;
c) empregar órteses, próteses e mecanismos de adaptação nas Atividades de Vida Diária (AVDs) e Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs);
d) promover adequações posturais para o desempenho das AVDs e AIVDs;
e) melhorar a capacidade funcional do cliente;
f) adequar unidades computadorizadas de controle ambiental;
g) promover adaptações estruturais em ambientes domésticos, laborais, em espaços públicos e de lazer;
h) promover ajuste, acomodação e adequação do indivíduo a uma nova condição e melhoria na qualidade de vida do cliente.


TECNOLOGIA ASSISTIVA x RECURSOS TERAPÊUTICOS FÍSICOS


O conceito de tecnologia assistiva é muito amplo e, por vezes, pode gerar confusões em relação aos recursos tecnológicos utilizados pelos fisioterapeutas em procedimentos de avaliação e intervenção terapêutica. Lourenço et al (2015) consideram que os recursos de tecnologia assistiva são aqueles utilizados pela pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida em todos os ambientes sociais para proporcionar autonomia e participação social e não apenas durante a sessão de reabilitação ou avaliação do indivíduo.

Diante disso, os recursos terapêuticos físicos, por atuarem principalmente na estrutura e função teciduais, controlando sinais e sintomas inflamatórios, auxiliando o processo de cicatrização, neuromodulando a dor e disfunções de órgãos e sistemas (por exemplo, a bexiga hiperativa) e promovendo contrações musculares (em músculos com ou sem comprometimento da inervação periférica), NÃO podem ser considerados como recursos de tecnologia assistiva. Esses dispositivos são utilizados pelos fisioterapeutas para auxiliar a recuperação da estrutura e função debilitada e, portanto, são suas ferramentas de trabalho e não de uso pelo indivíduo. No quadro abaixo estão alguns exemplos:

TECNOLOGIA ASSISTIVA
EXEMPLOS
RECURSOS TERAPEUTICOS FÍSICOS
EXEMPLOS

Auxílios Manuais
Colher Adaptada
Corrente elétrica de baixa e média frequência
Corrente Russa
Corrente Aussie
Correntes Diadinâmicas
Softwares


Equipamentos de tradução por voz

Ondas eletromagnéticas (espectro não luminoso)
Aparelhos de ondas curtas e microondas

Controle de Ambientes
Controle remoto de aparelho eletrodomésticos

Ondas mecânicas
Ultrassom terapêuticos

Projetos Arquitetônicos
Rampas, elevadores e barras

Energia térmica

Compressa Quente
Compressa de gelo


Adequação Postural

Almofadas e contentores

Ondas eletromagnéticas (espectro luminoso)
Dispositivos luminosos do tipo laser de baixa intensidade e diodos emissores de luz


Apesar das diferenças relatadas, ambos recursos terapêuticos físicos e recursos de tecnologia assistiva, são importantes ferramentas que o fisioterapeuta possui para auxiliar a recuperação do
indivíduo nos contextos clínico e social, otimizando sua funcionalidade, atividade e participação. Compete ao fisioterapeuta saber o melhor momento para uso de cada um desses recursos.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

PELOSI, B. M; ET AL . In service training for health professionals in assistive technology. Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano. São Paulo, v.19, n.3, dez., 2009.
ROCHA, E. F; CASTIGLIONI, M. C. Reflexões sobre recursos tecnológicos: ajudas técnicas, tecnologia assistiva, tecnologia de assistência e tecnologia de apoio. Rev. Terapia Ocupacional. Universidade. São Paulo, v.16, n.3, p.97-104, set/dez., 2005.
SARTORETTO, L. M ;BERSCH,R. O que é tecnologia assistiva. Disponível em: <http://www.assistiva.com.br/tassistiva.html>. Acesso em: 8 de março. 2017
LOURENCO,F.G;GONÇALVES,G,A;ELIAS,C,N. Differentiated Instructional Strategies and Assistive Technology in Brazil:Are we talking about the same subject?. Departament of occupational therapy. Fedral University of São Carlos.Brazil, v.3, n.11, p.891-896, 2015.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Estamos de volta!!!

Sejam bem vindos ao 1° semestre de 2017!

Mais uma etapa se inicia e em breve vamos compartilhar novidades e informações sobre os Recursos Terapêuticos Físicos. 
Aproveitem esse espaço para transmitir e obter conhecimento.

Em breve iniciaremos as postagens repletas de novidades. 

Contamos com a colaboração de todos vocês!

"Conhecimento sem transformação não é sabedoria"     (Sócrates)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016


Mais um semestre chega ao fim ...

Obrigado a todos que contribuíram com o funcionamento deste blog, desde a professora Dra. Angélica Araújo, os alunos do 4° período do segundo semestre de 2016 e vocês leitores!

O blog é realizado com muito esforço e dedicação, com intuito de compartilhar conhecimentos dos diversos recursos terapêuticos físicos existentes no mercado atual, assim como suas aplicabilidades.

Em breve retornaremos com muito mais novidades e informações!

Um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de sucesso e realizações!!!



segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Ultrassom e mecanotransdução: um novo olhar para o tratamento das tendinopatias


O ultrassom, com fins terapêuticos, é um aparelho de ondas mecânicas produzidas por vibrações acústicas de alta frequência (85KHz a 3MHz), indicado para tratamento das disfunções das estruturas do sistema músculo esquelético, principalmente aquelas ricas em colágeno, como por exemplo, o osso e os tendões. Por esse motivo, esse recurso terapêutico físico é comumente usado para tratamento de tendinopatias.
Essas vibrações tem a capacidade de criar efeitos terapêuticos atérmicos (efeitos mecânicos) e térmicos (efeitos mecânicos + térmicos) nos tecidos. Os efeitos mecânicos do ultrassom terapêutico estão associados principalmente ao processo de mecanotransdução. 
A tendinopatia é o nome que se dá para as lesões que afetam tendões, podendo ser de causa infamatória (tendinites) ou degenerativa (tendinoses). Ocorre processo em que o colágeno dos tendões se lesionam ao passar de um tempo, como resposta a um excesso de uso crônico ou resultado do envelhecimento do tecido. Quando esse excesso de uso é mantido sem que o tendão tenha tempo para repousar e cicatrizar, ocorre a tendinose. Mesmo movimentos de pequena amplitude, como clicar o mouse do computador, podem causar tendinose, desde que executados de modo repetitivo.
Além de vários fatores externos que podem causar uma lesão degenerativa, temos um fator interno que são as alterações por envelhecimento do tecido, que se torna menos consistente ao longo da vida ficando mais suscetível a lesões . As alterações patológicas observadas incluem de afilamento a microrrupturas de fascículos musculares, deposição de tecido de granulação, calcificação, favorecendo a progressão de lesões degenerativas e rupturas tendíneas.
Devido as vibrações mecânicas geradas pelo ultrassom, quando o feixe ultrassônico percorre as células do tendão, principalmente fibroblastos, ocorre o que chamamos de mecanotransdução, que é um processo pelo qual as células convertem os estímulos mecânicos em uma reposta bioquímica para que ocorram os efeitos fisiológicos no organismo humano, especificamente em células especializadas em sensações mecânicas (mecanorresceptores). Ou seja, o efeito da mecanotransdução modifica a parede da membrana celular por um estímulo mecânico, influenciando no crescimento e na morfologia dos tecidos do corpo.
Sobre os efeitos fisiológicos promovidos pela mecanotransdução na tendinopatia , podem ser citados: melhora do metabolismo celular, indução de remodelagem da matriz celular, síntese de colágeno (proliferação celular), síntese de proteínas e efeito de cavitação (formação de micro bolhas gasosas). Esses efeitos são essenciais no tratamento das tendinopatias.
Nas tendinoses o efeito do ultrassom é promove a cicatrização tecidual, impedindo sua evolução e promovendo o remodelagem das fibras da matriz celular.


Referências Bibliográficas:
Manual do equipamento de ultrassom usado na clínica da PUC minas , dísponivel em:
http://www.ibramed.com.br/public/img/uploads/page/1454065853 Sonopulse%20II%20%202015.pdf; Acesso em 24/11/2016.

Blog “Atlas de citologia e histologia “, dísponivel em:
http://atlaschg.blogspot.com.br/2013/02/tecido-conjuntivo.html; Acesso em 24/11/2016.

REBELO, Ana Cristina Silva & BAUMGARTH Henrique; “Tensegridade e mecanotransdução”, dísponivel em: http://www.henriquecursos.com/site/academico/tensegridade.pdf; Acesso em 25/11/2016.
 MAGALHÃES, Harrison Silvano Melo de; O efeito do ultrassom terapêutico no tratamento da tendinite do músculo supra-espinhoso”; Dísponivel em:  http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/33/180_-_O_efeito_do_ultrassom_terapYutico_no_tratamento_da_tendinite_do_mYsculo_supra-espinhoso.pdf; Acesso em 25/11/2016.