sábado, 9 de dezembro de 2017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

No 2°semestre de 2017 os alunos do 4° período do curso de Fisioterapia da PUC Minas, sob a orientação da Dra. Angélica Araújo, desenvolveram projetos de pesquisas para avaliar o papel dos Recursos Terapêutico Físicos em diferentes condições clínicas.

Os vídeos abaixo são referentes aos resultados de alguns desses projetos:



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Efeitos do aquecimento profundo no ganho de flexibilidade dos músculos isquiotibiais

Neste post, será abordado o recurso físico Ondas Curtas (OC), já apresentado em outras publicações desse blog, mas agora com foco no seu papel no ganho da flexibilidade muscular.
Existem muitos estudos que demonstram a funcionalidade do OC como recurso terapêutico auxiliar no ganho de flexibilidade, sendo um deles, o estudo “Efeito do alongamento estático após diatermia de ondas curtas versus alongamento estático nos músculos isquiotibiais em mulheres sedentárias”, desenvolvido pelos autores Pinfild et al., publicado na Revista Fisioterapia Brasil em 2004.
Nesse trabalho, 30 mulheres sedentárias, na faixa etária de 18 a 25 anos, foram distribuídas em 3 grupos: grupo 1 (n=10) não foi realizado nenhum tratamento (controle); grupo 2 (n=10) realizou alongamento estático dos isquiotibiais; grupo 3 (n=10) realizou o alongamento estático após 20 minutos de diatermia com OC. Os procedimentos realizados nos grupos 2 e 3 foram feitos 3 vezes por semana durante um mês.
O grupo 3 recebeu diatermia por OC capacitivo, no modo contínuo, por 20 minutos. A técnica coplanar foi utilizada com um capacitor posicionado na origem proximal dos músculos isquiotibiais sob a tuberosidade isquiática e o outro mais distal, sob a junção músculo tendinosa do joelho esquerdo. Durante a aplicação; as voluntárias deveriam relatar uma sensação de aquecimento confortável O alongamento dos isquiotibiais foi realizado por 3 minutos, com a voluntária em decúbito dorsal; através de um sistema de duas polias e uma corda; uma das extremidades foi presa ao tornozelo esquerdo e na outra extremidade era colocado um peso de 7kg. Para não haver compensações, o joelho direito e o quadril foram fixadas à maca. 
Antes da intervenção e após três dias do término do estudo para análise dos ganhos de flexibilidade, foram verificadas as ADM´s de flexão ativa do quadril com joelho estendido, usando um goniômetro posicionado com o fulcro no trocanter maior do fêmur (chamado de teste 1); e dede extensão ativa do joelho com o quadril fletido a 90º, com o fulcro do goniômetro posicionado no côndilo lateral do fêmur (chamado de teste 2). Os resultados obtidos pelo estudo mostraram que o uso de diatermia por OC antes do alongamento estático pode ser mais efetivo para o aumento da flexibilidade muscular do que os procedimentos utilizados nos grupos 2 e 1 (p<0,005) . Os autores justificam que esse resultado se deve ao fato que o aquecimento aumenta a taxa de disparo das fibras do tipo II aferentes do fuso muscular, gama eferente e tipo Ib dos órgãos tendinosos de golgi (OTG), contribuindo, assim, para a redução da taxa de disparo do motoneurônio alfa, relaxando o músculo. A viscoelasticidade do tecido conectivo também foi citada como justificativa, por aumentar a capacidade de deformação plástica com o aquecimento.

Assista o vídeo abaixo e conheça mais sobre o OC e sua aplicabilidade para auxiliar o ganho de flexibilidade dos músculos isquiotibiais.




segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Os efeitos do aquecimento e do resfriamento na capacidade de contração do músculo quadríceps femoral

RECURSOS TERAPÊUTICOS TÉRMICOS, O QUE SÃO?

Os recursos terapêuticos térmicos são dispositivos utilizados para fornecer (aquecimento) ou retirar (resfriamento) calor de um tecido biológico, modificando sua temperatura com a finalidade de se obter um efeito terapêutico.


     Para que ocorra a transferência de calor e a variação de temperatura do tecido, existem três métodos, são eles:
Condução: A transferência acontece pelo contato entre dois sólidos.
Convecção: A transferência ocorre pelo contato entre um líquido ou gás com um sólido.
Radiação: A transferência se dá sem contato direto. 

    A variação de temperatura será influenciada pelas características e propriedades térmicas do tecido, área a ser tratada, tempo de aplicação e a potência térmica do recurso. Essa variação de temperatura irá desencadear reações fisiológicas como mudança no fluxo sanguíneo e no metabolismo local, na velocidade de condução das fibras nervosas e na extensibilidade do colágeno, sendo que, por consequência são alcançados efeitos terapêuticos como analgesia e relaxamento muscular.

     Com isso, Corrêa et. al. (2012) avaliaram os efeitos da crioterapia no momento máximo de força isométrica (MMFI) do músculo quadríceps femoral em momentos distintos de tempo. Este estudo foi realizado em 13 mulheres saudáveis, que receberam aplicação da crioterapia por 20 minutos, utilizando uma compressa de gelo triturado sobre a região anterior da coxa (cobrindo totalmente o quadríceps femoral).   Os autores não citaram se a compressa foi isolada do ambiente. Para a mensuração do MMFI foi usado o dinamômetro isocinético Cybex.




O MMFI foi avaliado em todas as participantes de 4 formas.

1 - Sem aplicação de gelo.
2 - Imediatamente após a aplicação do gelo.
3 - 30 minutos após a aplicação do gelo.
4 - 60 minutos após a aplicação do gelo.

No final do estudo, foi observado que não houve diferença estatisticamente significativa na força dos músculos  extensores de joelhos entre os tempos avaliados, tanto quando comparado através da média das 3 tentativas (p = 0,410), quando comparado através do maior valor obtido (p = 0,364), sendo que foi assumido o valor de p < 0,05 (α = 5%) como estatisticamente significante.
Em relação ao aquecimento, Boldrini et al. (2012) analisaram os efeitos da diatermia por ondas curtas (DOC) no torque do músculo quadríceps femoral, gerado pela contração voluntária e eletricamente induzida em 28 indivíduos assintomáticos; (13 do gênero masculino e 15 do gênero feminino),os autores avaliaram também o desconforto gerado pela corrente elétrica. A capacidade de produção de torque foi avaliada por um dinamômetro isocinético por meio de contrações isométricas voluntárias máximas (CIVM) e eletricamente induzidas (TEI).
Os participantes foram submetidos a alguns procedimentos tais como: mensuração do torque através de contração voluntária; contração voluntária após a aplicação do calor e contração eletricamente induzida após o calor. O desconforto sensorial durante a estimulação elétrica foi avaliado com a escala visual analógica (EVA).
Ao final do estudo, os autores observaram que após a aplicação da diatermia por ondas curtas do tipo capacitivo, no músculo quadríceps femoral do membro inferior dominante, com uma dose de calor moderada durante um período de 20 minutos, não houve influencia sobre o torque gerado pela contração voluntária máxima (p= 0,594).

Apesar dos resultados observados, deve-se ter cautelas em relação ao uso de modalidades de aquecimento ou resfriamento em músculos que serão posteriormente submetidos ao treinamento de força. 



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
CORRÊA Barbosa Juliana, PELEGRINI Stella, AMBROSIO Paniza Ricardo, AFINI Felipe Luiz MINECHELLI Felipe Luiz,
LIEBANO Eloin Richard. Efeitos da crioterapia no momento máximo de força isomética do quadríceps. R. Bras. Ci. E Mov 2012;20(4):99-105.
BOLDRINI Chittero Fábio, LOPES Dias Alexandre, LIEBANO Eloin Richard. Efeitos da diatermia por ondas curtas no torque do músculo quadríceps femoral durante a estimulação elétrica neuromuscular e contração voluntária em indivíduos saudáveis. Rev. BrasMed Esporte - Vol. 19, No 4 - Jul/Ago, 2013
BLOG RECURSOS TERAPEUTICOS FISICOS. Frio e quente. Disponível em: http://blog.recursosterapeuticos.com.br/2013/10/banho-de-contrastre.html
ACTION SPORT PHYSIO. Dinamômetro Isocinético. Disponível em: http://www.actionsportphysio.com/en/services/techniques/isokinetic-training-biodex-cybex/


sábado, 18 de novembro de 2017

Comparação entre as correntes: pulsada bidirecional e Russa em relação ao conforto

A estimulação elétrica neuromuscular (EENM) refere-se ao estimulo elétrico aplicado de forma terapêutica sobre o tecido neuromuscular, através do sistema nervoso periférico preservado. Qualquer corrente elétrica que permite ajustar os parâmetros para gerar um potencial de ação na fibra motora pode ser chamada de corrente excitomotora. São exemplos, as corrente pulsada bidirecional, corrente Aussie, Russa e interferencial. A corrente pulsada bidirecional é definida como de baixa frequência (1Hz a 200 Hz) e as demais citadas são correntes alternadas de média frequência (1.000Hz a10.000Hz).
Os principais objetivos da EENM são: manutenção do trofismo muscular e da amplitude de movimento, ganho de força e treinamento funcional. 

Exemplo de estimulação elétrica do músculo quadríceps femoral
(Técnica bipolar)

Perante o exposto, Brasileiro et al. (2000) realizou um estudo com objetivo de comparar a capacidade de geração de torque e do conforto sensorial das correntes de baixa e média frequência aplicadas sobre o músculo quadríceps femoral. Dezoito indivíduos, do sexo masculino, saudáveis, com idade entre 19 e 25 anos, participaram do experimento.
Os indivíduos foram submetidos a um único teste. O dinamômetro isocinético computadorizado foi utilizado para avaliar a capacidade de geração de torque através da realização de contrações isométricas voluntárias do quadríceps femoral direito em um ângulo de 60 graus de flexão do joelho.
Cada individuo foi submetido a dois tipos de EENM (correntes de baixa frequência e média frequência), que foram aplicadas primeiro isoladamente e depois associado a contração voluntaria máxima. O torque induzido eletricamente em cada uma das situações foi registrado pelo dinamômetro isocinético e o desconforto sensorial associada a cada um dos seus protocolos de estimulação foi avaliado através da escala visual analógica (EVA). 


As correntes e os parâmetros utilizados no estudo estão representados na tabela abaixo:










As correntes foram transmitidas através de um único canal de saída, bifurcado com dois cabos isolados de 1,20 metros de comprimento, os eletrodos utilizados foram autoadesivos com dimensões idênticas de 8 × 12 cm, sendo fixados um no triângulo femoral onde se localiza à saída do nevo femoral e o outro na parte distal do músculo quadríceps, 5 cm acima da borda suprapatelar. 

Conclusões do estudo

- Não houve diferença entre a capacidade de geração do torque produzido pelas correntes pulsada bidirecional e Russa.
- Entre as formas do EENM não existe uma que possa ser considerada como mais confortável.
- Os autores reforçam que essas conclusões são limitadas à estimulação de indivíduos saudáveis que não têm problemas com o desempenho muscular. Portanto, outros estudos comparativos sobre o EENM para o fortalecimento devem ser realizados, principalmente em populações de pacientes com déficit de força muscular.

Referências Bibliográficas:
Thiago Fukuda. Disponível em: http://www.thiagofukuda.com/uso-da-eletroestimulac%CC%A7a%CC%83o-neuromuscular-em-fisioterapia
Brasileiro, J., S., etc al.  Estudio comparativo entre la capacidad de generación de torque y la  incomodidad sensorial producidos por dos formas de estimulación eléctrica neuromuscular  en sujetos sanos. São Paulo, Revista Iberoam Fisioterapy Kinesiology 2000;3(2):00-00

Robinson, A., J.; Snyder-Mackler, L. Clinical Electrophysiology: electrotherapy and electrophysiologic. 2ª ed. Baltimore, Editora Lippincott Williams & Wilkins.