quarta-feira, 5 de abril de 2017

Mobilidade devolvida por órtese robótica


Robótica é um ramo da tecnologia que engloba mecânica, eletrônica e computação. Envolve sistemas compostos por máquinas e partes mecânicas automáticas controladas por circuitos integrados, tornando sistemas mecânicos motorizados, controlados manualmente ou automaticamente por circuitos elétricos.

 A primeira etapa da integração dos conhecimentos da robótica na área de saúde começou nas salas de cirurgia. Em diversos hospitais, pacientes são operados por máquinas com braços mecânicos. Sob o comando dos médicos, elas permitem movimentos milimétricos e certeiros.

Hoje, com o desenvolvimento tecnológico crescente, a implementação da robótica na área da fisioterapia tornou-se uma realidade. Através da robótica é possível o desenvolvimento e/ou o aprimoramento de sistemas biológicos comprometidos o que, por consequência, auxilia na recuperação da funcionalidade do indivíduo. Os ´´robos´´ são usados principalmente na reabilitação de pessoas que perderam movimentos de braços e pernas por causa de lesões cerebrais derivadas de traumas ou de distúrbios neurológicos.

Figura 1: Exoesqueleto: abertura da copa 2014 (disponível em: http://descobertadigital.com.br/exoesqueleto-abertura-da-copa/)

No quadro abaixo estão alguns exemplos da robótica na área da reabilitação: 






Dotados de sofisticados programas de computação e sensores, os dispositivos robóticos podem detectar quando o paciente está se movimentando de forma incorreta e reorientar o gesto. Desse modo, o corpo reaprende a forma certa de processar os impulsos elétricos que mobilizam músculos, ligamentos e tendões para executar um movimento. Assim, o tratamento fica mais potente!

Figura 2 – Com perna biônica, jovem consegue até esquiar (disponível em: https://lazarolamberth.wordpress.com/tag/perna-mecanica-mais-avancada-do-mundo/) 

Abaixo segue
uma entrevista que realizamos com a Terapeuta Ocupacional Fernanda Ferreira, mestranda em Engenharia Mecânica na UFMG, que vem desenvolvendo um projeto de pesquisa sobre ´´Órtese Robótica para Membro Superior´´. O aparelho (figura 3), cuja principal finalidade é restaurar movimentos da mão e do cotovelo, começou a ser desenvolvido em 2005 pela equipe do Laboratório de Bioengenharia (Labbio) da UFMG e foi testado em pacientes vítimas acidente vascular encefálico (AVE). 

Figura 3 - Órtese Robótica para Membro Superior em desenvolvimento pela equipe do Labbio UFMG (disponível em: https://www.ufmg.br/online/arquivos/044851.shtml)


Entrevista realizada:

1) Como funciona a Órtese Robótica de membro superior?

"O método de acionamento da órtese robótica é por meio de atuador elétrico de corrente contínua. O sistema de controle é arduino nano com módulo bluetooth através de smartphone ou tablet, ou seja, ela é controlada por meio de um aplicativo de celular. Ela é acionada passivamente por meio de um motor, gerando movimento."


2) Qual foi o objetivo ao desenvolver o equipamento?

"O objetivo é que ele fosse leve, resistente e de baixo custo, além de facilmente transportável e com capacidade para melhorar a execução das atividades cotidianas dos pacientes."

3) Quais as vantagens da Terapia Assistida por Robô?

"Além de promover o retorno motor, possibilita realizar tarefas específicas repetidas vezes, de forma controlada, confiável e independente, o que gera um aumento da habilidade motora e melhora de desempenho. Os dispositivos robóticos também são capazes de fornecer informações quantitativas (velocidade, tempo, direção, força, ADM, etc.), o que facilita medir o progresso do paciente, com maior precisão e confiabilidade. Além disso, permite que o fisioterapeuta programe um protocolo de reabilitação para que o paciente execute várias sessões por dia, fazendo uma utilização melhor do tempo. Mas é importante salientar, que isso não substitui a interação entre paciente e terapeuta."


4) E quais são as desvantagens?

"A maior desvantagem é o alto custo. Os dispositivos robóticos são importados, dificultando à adesão no Brasil. Além disso, possuem e Estética não favorável, pois são volumosos, robustos e pesados. Promovem melhora na função motora, sem consequente impacto funcional, pois a reabilitação simultânea é considerada primordial para recuperar a função."


Com base na literatura pesquisada e entrevista realizada podemos concluir que a fisioterapia robótica esta em continua fase de estudos e pesquisas por ser uma alternativa inovadora e estimulante tanto para o terapeuta quanto para o paciente. Porém, os sistemas robóticos não substituem o tratamento fisioterapêutico, devendo sempre ser associados à reabilitação e adequados à realidade de cada paciente no programa terapêutico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ANDREW, P. et AL. Towards more effective robotic gait training for stroke rehabilitation: a review. Neuroeng Rehabil, v.09, 2012. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3481425/>. Acesso em 28 mar. 2017.

HUSSEIN A, A. et AL.  Results of Clinicians Using a Therapeutic Robotic System in an Inpatient Stroke Rehabilitation Unit.  J Neuroeng Rehabil, v.08, 2011. Disponível em  <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3182973/>. Acesso em 28 mar. 2017.


ARAUJO, M.V.; Desenvolvimento de Uma Órtese Ativa Para os Membros Inferiores Com Sistema Eletrônico Embarcado. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica e Computação da UFRNfev., 2010. Disponível em <http://www.dca.ufrn.br/~acari/Disserta%E7%E3o%20de%20Mestrado/Disserta%E7%E3o%20-%20Marcio.pdf>. Acesso em 01 de abril de 2017.

DARAYA, V.; Tudo que você precisa saber sobre o exoesqueleto que fará um paraplégico dar o chute inicial da Copa. Exame.com, 11 jun. 2014. Disponível em <http:// exame.abril.com.br/ciencia/tudo-que-voce-precisa-saber-sobre-o-exoesqueleto-que-fara-um-paraplegico-dar-o-chute-inicial-da-copa/amp/>. Acesso em 01 de abril de 2017.

DOMINGUES I. G.; OLIVEIRA R. F.; MARTINS E. A.; Robótica aplicada a motor de passo com utilização de arduíno. 5 Jornada Científica e Tecnológica da FATEC de Botucatu 24 a 27 de Outubro de 2016, Botucatu – São Paulo, Brasil. Disponível em &lt; http://www.fatecbt.edu.br/ocs/index.php/VJTC/VJTC/paper/viewFile/866/894&gt;. Acesso em 30 de mar. de 2017.


quarta-feira, 15 de março de 2017

Tecnologia assistiva: aplicações na fisioterapia





Dentre os vários profissionais envolvidos nessa área, o fisioterapeuta apresenta um importante papel, pois este profissional é capacitado para dar assistência ao homem, participando da promoção, tratamento e recuperação da sua saúde. Por lidar diretamente com o movimento humano, analisando-o cinética e funcionalmente, o fisioterapeuta pode auxiliar tanto na seleção e na confecção de recursos como também na elaboração de estratégias e métodos para otimizar o desempenho funcional do usuário.

Compete ao fisioterapeuta o uso da Tecnologia Assistiva nas Atividades de Vida Diária (AVDs) e Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs) com os objetivos de:

a) promover adaptações de jogos eletrônicos, realidade virtual para recriar o universo real do cliente;
b) criar equipamentos, adaptações de acesso ao computador e softwares;
c) empregar órteses, próteses e mecanismos de adaptação nas Atividades de Vida Diária (AVDs) e Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs);
d) promover adequações posturais para o desempenho das AVDs e AIVDs;
e) melhorar a capacidade funcional do cliente;
f) adequar unidades computadorizadas de controle ambiental;
g) promover adaptações estruturais em ambientes domésticos, laborais, em espaços públicos e de lazer;
h) promover ajuste, acomodação e adequação do indivíduo a uma nova condição e melhoria na qualidade de vida do cliente.


TECNOLOGIA ASSISTIVA x RECURSOS TERAPÊUTICOS FÍSICOS


O conceito de tecnologia assistiva é muito amplo e, por vezes, pode gerar confusões em relação aos recursos tecnológicos utilizados pelos fisioterapeutas em procedimentos de avaliação e intervenção terapêutica. Lourenço et al (2015) consideram que os recursos de tecnologia assistiva são aqueles utilizados pela pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida em todos os ambientes sociais para proporcionar autonomia e participação social e não apenas durante a sessão de reabilitação ou avaliação do indivíduo.

Diante disso, os recursos terapêuticos físicos, por atuarem principalmente na estrutura e função teciduais, controlando sinais e sintomas inflamatórios, auxiliando o processo de cicatrização, neuromodulando a dor e disfunções de órgãos e sistemas (por exemplo, a bexiga hiperativa) e promovendo contrações musculares (em músculos com ou sem comprometimento da inervação periférica), NÃO podem ser considerados como recursos de tecnologia assistiva. Esses dispositivos são utilizados pelos fisioterapeutas para auxiliar a recuperação da estrutura e função debilitada e, portanto, são suas ferramentas de trabalho e não de uso pelo indivíduo. No quadro abaixo estão alguns exemplos:

TECNOLOGIA ASSISTIVA
EXEMPLOS
RECURSOS TERAPEUTICOS FÍSICOS
EXEMPLOS

Auxílios Manuais
Colher Adaptada
Corrente elétrica de baixa e média frequência
Corrente Russa
Corrente Aussie
Correntes Diadinâmicas
Softwares


Equipamentos de tradução por voz

Ondas eletromagnéticas (espectro não luminoso)
Aparelhos de ondas curtas e microondas

Controle de Ambientes
Controle remoto de aparelho eletrodomésticos

Ondas mecânicas
Ultrassom terapêuticos

Projetos Arquitetônicos
Rampas, elevadores e barras

Energia térmica

Compressa Quente
Compressa de gelo


Adequação Postural

Almofadas e contentores

Ondas eletromagnéticas (espectro luminoso)
Dispositivos luminosos do tipo laser de baixa intensidade e diodos emissores de luz


Apesar das diferenças relatadas, ambos recursos terapêuticos físicos e recursos de tecnologia assistiva, são importantes ferramentas que o fisioterapeuta possui para auxiliar a recuperação do
indivíduo nos contextos clínico e social, otimizando sua funcionalidade, atividade e participação. Compete ao fisioterapeuta saber o melhor momento para uso de cada um desses recursos.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

PELOSI, B. M; ET AL . In service training for health professionals in assistive technology. Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano. São Paulo, v.19, n.3, dez., 2009.
ROCHA, E. F; CASTIGLIONI, M. C. Reflexões sobre recursos tecnológicos: ajudas técnicas, tecnologia assistiva, tecnologia de assistência e tecnologia de apoio. Rev. Terapia Ocupacional. Universidade. São Paulo, v.16, n.3, p.97-104, set/dez., 2005.
SARTORETTO, L. M ;BERSCH,R. O que é tecnologia assistiva. Disponível em: <http://www.assistiva.com.br/tassistiva.html>. Acesso em: 8 de março. 2017
LOURENCO,F.G;GONÇALVES,G,A;ELIAS,C,N. Differentiated Instructional Strategies and Assistive Technology in Brazil:Are we talking about the same subject?. Departament of occupational therapy. Fedral University of São Carlos.Brazil, v.3, n.11, p.891-896, 2015.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Estamos de volta!!!

Sejam bem vindos ao 1° semestre de 2017!

Mais uma etapa se inicia e em breve vamos compartilhar novidades e informações sobre os Recursos Terapêuticos Físicos. 
Aproveitem esse espaço para transmitir e obter conhecimento.

Em breve iniciaremos as postagens repletas de novidades. 

Contamos com a colaboração de todos vocês!

"Conhecimento sem transformação não é sabedoria"     (Sócrates)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016


Mais um semestre chega ao fim ...

Obrigado a todos que contribuíram com o funcionamento deste blog, desde a professora Dra. Angélica Araújo, os alunos do 4° período do segundo semestre de 2016 e vocês leitores!

O blog é realizado com muito esforço e dedicação, com intuito de compartilhar conhecimentos dos diversos recursos terapêuticos físicos existentes no mercado atual, assim como suas aplicabilidades.

Em breve retornaremos com muito mais novidades e informações!

Um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de sucesso e realizações!!!