segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Correntes pulsadas de baixa frequência e correntes alternadas de média frequência: existe diferença entre o torque e o conforto?

O que é uma corrente excitomotora?

É qualquer corrente elétrica que permite ajustar ou tenha os parâmetros adequados para gerar um potencial de ação na fibra motora, podendo ser utilizada para auxiliar a contração muscular.
A eletroterapia excitomotora pode ser usada na fisioterapia quando a contração muscular voluntária não for possível ou estiver sendo realizada com compensações, com o objetivo de ganhar força, manter o trofismo e a amplitude de movimento e realizar treinamento funcional.
As correntes pulsadas de baixa frequência (1Hz a 200 Hz) e correntes alternadas de média frequência(1.000Hz a 10.000Hz) são exemplos de correntes excitomotoras. A escolha da utilização dessas correntes depende da capacidade de barreira da pele. As correntes alternadas de média frequência fazem com que a pele reduza a sua resistência, evitando que a energia elétrica se espalhe para a região periférica, permitindo assim, a formação de um campo elétrico mais potente. E isso, por sua vez, poderia teoricamente gerar contrações musculares mais fortes, quando comparada às contrações geradas pelas correntes pulsadas de baixa frequência.


Diante disso, Dantas et al.2015 compararam o torque e o desconforto promovidos por 4 tipos de correntes (2 correntes alternadas - Russa e Aussie - e 2 correntes pulsadas), aplicadas no músculo quadríceps femoral isoladamente ou em combinação com a contração voluntária máxima (CVM) desse mesmo músculo. O estudo foi realizado em mulheres saudáveis e para medir a CVM foi utilizado um dinamômetro isocinético e para medir o nível de desconforto foi utilizada a escala visual analógica (EVA) de dor.


Abaixo segue as características das correntes utilizadas no estudo e resultados obtidos:


          Observações dos procedimentos da estimulação elétrica neuromuscular:


1- Os eletrodos foram posicionados da seguinte maneira: Canal 1- o eletrodo distal foi colocado no ponto motor do músculo vasto medial e o eletrodo proximal foi colocado a 15 cm acima do eletrodo distal no músculo reto femoral. Canal 2- o eletrodo distal foi posicionado no ponto motor do músculo vasto lateral e o eletrodo proximal foi colocado a 15 cm acima do eletrodo distal no músculo reto femoral.
2- Foram utilizados tempo ON de 10 segundos, com 3 segundos para construir intervalos de descanso de 3 minutos para restaurar reservas de energia muscular em todas as 4 correntes aplicadas.
3- A duração de pulso e a frequência das correntes pulsadas foram ajustadas para coincidir com as da corrente Russa e Aussie.


A hipótese inicial do estudo sugeria que não existiria diferença na produção de torque e no nível de desconforto gerado pelos 4 tipos de correntes excitomotoras testadas, e que a estimulação elétrica neuromuscular (EENM) associada a contração voluntária máxima não proporcionaria um torque  maior quando  comparado a EENM isolada. Porém, conclusões obtidas foram: 

1- A corrente Aussie e as correntes pulsadas são vantajosas em comparação com a corrente Russa para induzir o torque isométrico da extensão do joelho em mulheres saudáveis, diferente do que se pressupunha inicialmente.
2- Não há vantagem em combinar a EENM com a contração voluntária máxima,  pois não houve diferença significativa no torque gerado pelos 4 tipos de correntes associadas a contração voluntaria máxima, confirmando a hipótese inicial.
3- Nenhuma diferença no nível de desconforto auto-relatado foi observado entre as correntes alternadas e as correntes pulsadas.


Referências Bibliográficas:
  • ·        DANTAS, L. et al. Comparison between the effects of four different electrical stimulation current waveforms on isometric knee extension torque and perceived discomfort in healthy women. Muscle&Nerve, Brasília, p.76-82, 2015.
  • ·        BLOG Recursos Terapêuticas físicos. Disponível em: <http://blog.recursosterapeuticos.com.br/2016/11/correntes-excitomotoras-qual-usar-para.html?m=1>. Acesso em 20 de setembro, 2017.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

quinta-feira, 22 de junho de 2017

E terminamos mais um ciclo...

E o sucesso do mesmo não teria acontecido sem a dedicação dos alunos do 4° período de fisioterapia da PUC e dos monitores da disciplina.
Mais uma vez agradecemos a vocês que curtiram, comentaram e compartilharam os nossos posts. Saber que os nossos posts estão ajudando a divulgar a importância dos Recursos Terapêuticos Físicos e servindo como ferramenta para o aprendizado deste conteúdo nos motiva cada vez mais a continuar com este trabalho. No próximo semestre estaremos de volta!!! Caso tenham interesse em algum tema específico sobre os recursos terapêuticos físicos, compartilhe conosco. Tentaremos incluí-lo nas temáticas dos próximos posts. 

Até breve!!! 



quarta-feira, 7 de junho de 2017

A importância dos Recursos Terapêuticos Físicos (RTF’s) na fisioterapia esportiva




AFINAL, O QUE É FISIOTERAPIA ESPORTIVA?

A Fisioterapia Esportiva é uma especialidade da Fisioterapia que visa reabilitar, tratar e prevenir lesões de atletas ou de qualquer outro indivíduo que pratique alguma atividade física. Tem como principal objetivo devolver o indivíduo para a prática esportiva, com segurança, o mais rápido possível, após uma lesão. 



PORQUE UTILIZAR RECURSOS TERAPÊUTICOS FÍSICOS NA FISIOTERAPIA ESPORTIVA?

O atleta, diferente de outros indivíduos, executa todas as funções do seu corpo, no máximo de potência e amplitude, para realização perfeita de todos os movimentos que sua prática esportiva exige, estando, por esse motivo, mais predisposto a lesões. Dependendo do tipo e local da lesão e das necessidades do indivíduo, a fisioterapia dispõe de alguns recursos para seu tratamento. Dentre os recursos, se encontra os Recursos Terapêuticos Físicos, que tem como objetivo auxiliar no processo de recuperação do atleta, para que o mesmo possa retornar em um curto espaço de tempo a sua prática esportiva. 

Figura 2: Crioterapia y Termoterapia ¿Cuando una e cuando otra? (disponível em http://phisiobasic.com/crioterapia-y-termoterapia-cuando-una-y-cuando-otra/)


RESFRIAMENTO E AQUECIMENTO TERAPÊUTICOS

O aquecimento e o resfriamento terapêuticos são utilizados na fisioterapia esportiva para o tratamento de lesões musculoesqueléticas.
A crioterapia é o uso do resfriamento como recurso terapêutico. Abrange uma grande quantidade de técnicas que usam a água nas formas líquida, sólida e gasosa, com o objetivo de reduzir a temperatura do local lesionado, na faixa de 13 C a 18 C, proporcionando benefícios fisiológicos e terapêuticos.
- Benefícios terapêuticos da crioterapia: redução da dor, contensão do processo inflamatório e do edema e redução do espasmo muscular.
- Contraindicações: hipersensibilidade/intolerância ao frio, área com comprometimento circulatório ou doença vascular periférica.

Dentre as várias formas de resfriamento, o protocolo PRICE é uma das técnicas mais aplicadas para tratamento das lesões esportivas.
Esse protocolo é utilizado principalmente no pós trauma imediato, em lesões musculares e articulares, com o objetivo de minimizar os sinais e sintomas da reação inflamatória aguda, como dor e a formação do edema. 

As letras da sigla PRICE significam:

P (Protection) – PROTEÇÃO com o objetivo de diminuir o estresse sobre a estrutura lesionada. 
R (Rest) - REPOUSO  orientado para permitir a recuperação tecidual.
I (ICE) - GELO  ajuda a controlar os sinais e sintomas da fase inflamatória aguda.
C (Compression)- COMPRESSÃO  associado com o gelo ajuda a minimizar a formação do edema  
E (Elevation) - ELEVAÇÃO da área lesionada para que a gravidade possa atuar no controle do edema 

Diferente da crioterapia, as modalidades de aquecimento tecidual são contraindicadas no pós trauma imediato, sendo usadas mais na fase proliferativa do reparo tecidual ou como coadjuvante no controle da dor, atuando positivamente na quebra do ciclo dor-espasmo-dor. Assim como a crioterapia, há várias formas de promover o aquecimento tecidual, sendo as modalidades de aquecimento superficial, tais como as compressas quentes, as mais popularmente usadas. Entretanto, para um aquecimento mais profundo e de mais intensidade, a diatermia por ondas curtas ou pelo microondas são mais indicadas.
Contraindicações: fase inflamatória aguda, alterações circulatórias, alteração da sensibilidade térmica e dolorosa, hemorragia, tumores e sobre feridas abertas.  

ELETROTERAPIA

Essa é outra modalidade física muito útil para o tratamento das lesões esportivas. A eletroterapia é  o uso da corrente elétrica de baixa (0 a 200 Hz) e média frequência (1000 a 10.000 Hz) para fins terapêuticos.

Lembre-se: Nem tudo que se liga na tomada é eletroterapia!!!!



CONTRAINDICAÇÕES:

- Utilização sobre vasos sanguíneos trombóticos ou embolíticos;
- Vasos vulneráveis à hemorragia;
- Área abdominal de gestantes;
- Sobre seios carotídeos;
- Alterações de sensibilidade;
- Indivíduos com dermatite;
- Tecidos neoplásicos, estado febril, infecções em geral.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

- NERY, Ariani. Termoterapia. Disponível em >http://fisioterapia.com/termoterapia/< Acesso em: 18 set. 2016
- MARIANO, Fábio Pamplona. Crioterapia. Disponível em >http://mobilitafisioterapia.com/crioterapia/<
- HAUSCHILD, Romualdo. Efeitos da Eletroterapia. Disponível em >http://amigosdacura.ning.com/profiles/blogs/efeitos-da-el-troterapia< Acesso em 31 de maio de 2012
- ANJOS, Marco Tulio Saldanha dos. Quem e o que pode ser tratado pelo fisioterapeuta esportivo? Disponível em >http://www.sonafe.org.br/site/detalhes-artigo/54< Acesso em 11 de maio de 2017