sábado, 25 de outubro de 2014

Entorse de Tornozelo


Caro (a) leitor (a), provavelmente você se identificará com a seguinte situação: andando tranquilamente e em questão de segundos ”torce o pé”. Sentiu dores, não conseguia apoiar o pé afetado no chão e notou inchaço, e posteriormente equimose na região do tornozelo? Este incidente é muito comum no dia a dia, uma pesquisa realizada no Reino Unido, indica que este incidente acontece em uma a cada 10.000 pessoas da população geral, isto é, cerca de 5.000 lesões por dia. Sabe-se ainda que entorse de tornozelo seja uma das lesões mais comuns entre os atletas, correspondendo a 20% de todas as lesões musculoesqueléticas e mais de 30% de todos os esportes.

A articulação do tornozelo apresenta pouca congruência, uma vez que, a parte distal da fíbula se articula com a tíbia em forma de pinça, este complexo articula-se com a parte proximal do tálus. Os componentes ativos (músculos) e os passivos (cápsula, tendões e ligamentos) são as estruturas responsáveis por manter a sincronia dos movimentos articulares. Os ligamentos são as estruturas mais acometidas no momento da entorse e a integridade destes que permitem classificar a entorse em graus:
      

  •      grau 1-Estiramento ligamentar  
  •         grau 2-lesão ligamentar parcial 
  •         grau 3-lesão ligamentar total (ruptura);


A maioria das entorses de tornozelo ocorre no movimento de inversão, estirando o ligamento talofibular anterior.

                                                                Por que?
Acontecem em inversão basicamente por dois motivos; o primeiro, é o fato de o maléolo lateral ser “mais baixo” que o maléolo medial isto dificulta que o pé virar para fora, e segundo, é o fato de o ligamento deltoide (medial) ser mais resistente e proteger a articulação na porção medial em contrapartida, a região lateral é protegida por três finos ligamentos: Talofibular posterior, calcaneofibular e talofibular anterios, este último é o mais acometido dos três, porque ele é o menos espesso dos três.
Isso não quer dizer que as entorses em eversão não ocorrem, pelo contrário, elas acontecessem, no entanto são mais raras.




Medidas
Nos casos de entorse, quanto mais rápida a intervenção melhor o prognóstico e melhor a redução no tempo de tratamento.

No caso das entorses leves (grau 1), o próprio paciente pode intervir. Realizando as seguintes indicações:


   Gelo: o efeito benéfico do gelo na entorse consiste na não progressão do edema  e analgesia, subsequentes à lesão. A diminuição da temperatura local por meio do gelo tem por efeitos a vasoconstrição dos capilares e a diminuição do metabolismo dos tecidos lesados. Com isso, previne-se o extravasamento de líquido para o espaço intersticial, o que diminui o edema na região articular. O frio também diminui a velocidade de condução dos impulsos nervosos, diminuindo a dor. No entanto, para que a ação preventiva do gelo possa ser alcançada, sua aplicação deve ser feita imediatamente, entre 1 e 20 minutos após a ocorrência da lesão.

 A aplicação de gelo deve seguir alguns cuidados: O tempo de tratamento deve ser aquele em que o indivíduo tem a sensação de resfriamento do local, ou seja, não é interessante que o mesmo relate que não dormência; A temperatura mínima deve ser de 10º. Bolsas térmicas não são muito indicadas uma vez que não se sabe a qualidade do gel e a sua eficácia de resfriamento, o ideal é triturar o gelo. Deve-se ainda, isolar a compressa do ambiente para que o gelo não derreta rapidamente.

·         Compressão: o efeito básico da compressão ou da pressão externa é aumentar a pressão fora dos vasos e, com isso, auxiliar a reabsorção do fluido extravascular pela circulação venosa. Essa compressão deve ser local e aplicada minutos após a lesão, durante um período de, no mínimo, 24 horas. As faixas elásticas e as botas infláveis são as formas de compressão mais utilizadas atualmente.
·         Elevação: o efeito da elevação na entorse está diretamente relacionado ao conceito de pressão hidrostática. Pressão hidrostática é a pressão resultante do peso da água em um recipiente. A elevação combate o edema durante a fase aguda da entorse, uma vez que auxilia na diminuição da pressão hidrostática nos capilares lesados.
·         Repouso: o repouso da articulação, ou melhor, a ausência de atividade motora e descarga de peso no tornozelo durante a fase aguda seguinte à lesão evita que a mesma seja agravada.


Caso persistam dores e sintomas, procure médicos ou fisioterapeutas, uma vez que eles saberão a melhor conduta e podem se amparar de exames complementares.



Lesões mais graves (graus 2 e 3) devem ter acompanhamento de profissionais. Uma vez que ocorreu ruptura de alguma estrutura e a dor é intensa. Há inúmeros recursos para tratamento, sendo o laser um instrumento bastante utilizado.

Laser
O Laser tem propriedades terapêuticas importantes como: Promover um aumento na microcirculação local, na circulação linfática, proliferação de células epiteliais e fibroblastos, assim como aumento da síntese de colágeno.

Vale ressaltar que, antes da aplicação, a área a ser tratada deve ser higienizada assim como a caneta de aplicação do laser; o uso dos óculos protetores, tanto pelo terapeuta como pelo paciente, é fundamental; a distância entre a área de tratamento e a caneta deve ser a mínima possível, para que a luz não seja refletida e penetre no tecido e interaja com a estrutura lesionada.


Atenção fisioterapeuta:

Os protocolos de utilização do laser terapêutico devem considerar a fase do processo inflamatório em que o paciente se encontra. E ainda, O número de pontos irradiados depende do tamanho da área a ser tratada.

2 comentários:

  1. Muito interessante o fato de que a aplicação do gelo deve ser imediata... Isso não é observado pela maioria das pessoas, que a realiza em um longo tempo posterior à lesão. Mas surgiu uma dúvida. Por que deve-se triturar o gelo?

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  2. Maria Joana Pereira27 de outubro de 2014 23:42

    quanto tempo em media, deve durar a aplicação do gelo para efeito terapeutico?

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